
em que me vergo e onde te vejo à janela recta do teu mar.
Há qualquer coisa, estranhamente íntimo,
nosso, supremo e derradeiro, neste tempo em que me sento ausente,
aqui,
e sou,
e és,
e somos,
flores líricas de papel,
buriladas à pedra tenra das palavras.
Há uma lucidez (de)mente no verbo estampado em cada dedo,
tal arado indomável de várzeas em mãos abertas,
na senda d’águas convergidas, génese de nossas vidas.
Há qualquer coisa maior que nos respira em pulmões batráquios de plantas com guelras,
que se emancipa e nos desconserta
quando nos experimentamos
e no vácuo nos amamos (tanto)na fome,
na míngua,
na lágrima e logo pranto,
e nos enleamos d’hossanas homéricas,
de cantos profanos, e somos, tão-somente,
amantes, átomos livres,
viajantes pendurados em lagos pré-inscritos p'lo degelo rápido dos sentidos.
… há qualquer coisa, imenso e sem tamanho, no tamanho infinito!

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